O que a empresa da região costuma ouvir e não deveria aceitar

Circulam pelas cidades do interior algumas propostas de economia tributária que soam razoáveis e não são. Abrir uma segunda empresa no nome de um parente para dividir o faturamento. Registrar parte da produção em nome de outra pessoa. Contratar como autônomo quem trabalha como empregado. Todas prometem economia imediata, todas colocam a conta no colo do empresário quando desmoronam, e nenhuma delas é necessária, porque existe economia legítima suficiente disponível.

  • Empresa aberta no nome de parente para fracionar faturamento é desconsiderada.
  • Quem responde perante o Fisco é a empresa e, em hipóteses previstas, os sócios.
  • Quem sugeriu a estrutura não paga a conta.
  • Autorregularização espontânea reduz bastante a consequência.
  • Existe economia legítima suficiente sem exposição nenhuma.

A proposta mais comum

Abrir uma segunda empresa, geralmente no nome de um parente, para dividir o faturamento e manter as duas dentro do limite do Simples ou em faixa de alíquota menor. É a estrutura que mais circula e a mais frágil.

Ela é desconsiderada quando as duas empresas compartilham endereço, funcionários, estoque, administração e clientes, o que é exatamente o caso quando a segunda foi criada só para dividir o número.

Identificada a situação, a fiscalização trata o conjunto como uma única empresa, recalcula o tributo pelo faturamento somado e cobra a diferença com multa qualificada. E o parente que emprestou o nome também entra na história.

O teste que resolve

Se a segunda empresa fosse desmontada, o negócio funcionaria igual? Se a resposta for sim, ela não tem propósito além do tributo, e é essa a definição prática de estrutura frágil. Quando há separação real de operação, estrutura e gestão, a segregação é legítima.

As outras que aparecem

Registrar parte da produção em nome de terceiro, prática que aparece no meio rural, transfere a receita no papel mas não altera quem efetivamente produziu e vendeu. Além do risco tributário, cria um problema patrimonial: o bem ou a receita passa a estar formalmente com outra pessoa.

Contratar como autônomo quem trabalha com pessoalidade, habitualidade e subordinação é a segunda mais comum. A economia em encargo é imediata e o reconhecimento de vínculo, quando vem, traz todo o período com reflexos e ainda a contribuição previdenciária não recolhida.

E a venda sem nota, apresentada como jeito de sobreviver à margem apertada. Ela oculta o fato gerador, o que é evasão, e além da cobrança com multa qualificada pode ter desdobramento na esfera criminal.

Propostas irregulares comuns na região, como costumam ser tratadas e quem paga
PropostaComo costuma ser tratadaQuem paga
Segunda empresa no nome de parenteDesconsiderada, tributo recalculadoEmpresa e sócios
Produção registrada em terceiroSimulação, com risco patrimonialQuem produziu de fato
Empregado contratado como autônomoVínculo reconhecido com reflexosEmpresa
Venda sem notaEvasão, com multa qualificadaEmpresa e responsáveis
Contrato diverso da práticaSimulaçãoEmpresa

Quem paga quando desmorona

A obrigação tributária é da empresa. Em hipóteses previstas em lei, sócios e administradores respondem com o próprio patrimônio, especialmente quando há infração à lei, ao contrato social ou dissolução irregular.

A separação patrimonial da sociedade limitada, que protege o sócio em condições normais, pode ser afastada quando há confusão patrimonial, desvio de finalidade ou fraude, situações que se sobrepõem justamente a essas estruturas.

E quem sugeriu não responde perante o Fisco. Pode ter responsabilidade contratual perante o cliente, o que raramente se converte em recuperação do valor. Na prática, o empresário fica com a conta inteira.

Três perguntas antes de aceitar

A estrutura corresponde ao que a empresa efetivamente faz? Ela teria alguma razão de existir se o tributo fosse igual nos dois cenários? Eu conseguiria explicar essa organização a um fiscal sem constrangimento?

Se a resposta a qualquer uma for não, o risco é real, independentemente de quem sugeriu ou de quantas empresas da cidade fazem igual. O fato de ser prática comum não altera o tratamento legal.

Vale também desconfiar de quem promete percentual de economia antes de olhar documento e cobra sobre o valor prometido, com pressa para implementar. Análise séria examina primeiro e apresenta o número depois.

Se já está montado

Empresa que já adotou uma dessas estruturas tem um caminho: identificar a exposição, dimensionar o valor e avaliar a autorregularização espontânea, que antes de qualquer procedimento fiscal afasta parte das penalidades. Depois de iniciado o procedimento, essa porta se fecha.

A economia que existe sem risco

Regime tributário correto, revisado anualmente com números reais. CNAE que corresponde à atividade efetiva. Receitas segregadas por atividade. Pró-labore dimensionado para o Fator R em empresa de serviços.

Créditos e retenções aproveitados, que em prestador que atende cooperativas e cerealistas costuma somar valor relevante. Benefícios setoriais verificados, porque agronegócio, transporte e saúde têm tratamento próprio. E indébito recuperado dentro do prazo de cinco anos.

São sete caminhos, nenhum com exposição, e juntos costumam explicar quase toda a economia disponível em empresa que nunca revisou nada. Começar por aí resolve a maior parte dos casos, e é o que a VGR, escritório contábil em Fátima do Sul, faz em planejamento tributário.

Perguntas frequentes

Abrir uma segunda empresa no nome de um parente funciona?

É desconsiderada quando as duas compartilham endereço, funcionários, estoque, administração e clientes. A fiscalização trata o conjunto como uma única empresa, recalcula pelo faturamento somado e cobra com multa qualificada.

Qual o teste para saber se a estrutura é frágil?

Perguntar se, desmontada a estrutura, o negócio funcionaria igual. Se a resposta for sim, ela não tem propósito além do tributo. Quando há separação real de operação, estrutura e gestão, a segregação é legítima.

Contratar como autônomo quem trabalha como empregado é risco?

É. Quando há pessoalidade, habitualidade e subordinação, o vínculo tende a ser reconhecido, trazendo todo o período com reflexos e a contribuição previdenciária não recolhida.

Quem responde quando a estrutura é desconsiderada?

A empresa, e em hipóteses previstas em lei também sócios e administradores com o próprio patrimônio. Quem sugeriu a estrutura não responde perante o Fisco, apenas eventualmente perante o cliente.

O fato de outras empresas fazerem igual muda algo?

Não. Ser prática comum na cidade não altera o tratamento legal. A avaliação é feita sobre a realidade da operação de cada empresa, e não sobre o costume local.

Já adotei uma dessas estruturas. O que fazer?

Identificar a exposição, dimensionar o valor e avaliar a autorregularização espontânea, que antes de qualquer procedimento fiscal afasta parte das penalidades. Depois de iniciado o procedimento, essa possibilidade se fecha.

Existe economia legítima suficiente?

Existe: regime correto revisado anualmente, CNAE adequado, receitas segregadas, pró-labore dimensionado, créditos e retenções aproveitados, benefícios setoriais verificados e indébito recuperado no prazo.

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Fontes oficiais

Código Tributário Nacional, Receita Federal do Brasil

Material informativo, não substitui a análise do seu caso. Atualizado em . Revisão técnica de Vagner Aparecido Florentino.

Ofereceram uma economia que parece boa demais?

A VGR avalia o risco da estrutura proposta e mostra quanta economia legítima existe sem exposição nenhuma. A conversa inicial é sem compromisso.

Ver planejamento tributário